29/05/2009

"116) AINDA RESTA A MÍSTICA DA CAMISA"


"... a última frase ainda não foi escrita ..."

“ AINDA RESTA A MÍSTICA DA CAMISA”

A juventude sentiu a inexperiência; a responsabilidade de levar a equipe ao título. Ano dos mais importantes, preferimos renovar o elenco constituído, escolhendo “peças não viciadas”.

A base deixada - Marcos (35), Pierre (27) e Diego (23) - seria suficiente para equilibrar o navio alviverde, rumo à “terra prometida”?

Edmilson (33) veio somar à experiência necessária. Armero (23), Cleiton (25) e K9 (21) foram bons reforços. Mas, uma campanha é percorrida por muitos pés, não por onze pares de chuteiras isoladas - ou menos. Superestimou-se as forças? Acreditou-se nos sinais apresentados pelo destino? Valores promissores, tais como Willians (21) e Marquinhos (19), foram promovidos a mártires?

Não será nada fácil encontrar estabilidade e navegar por águas tranqüilas. Insisto, escolhemos o caminho com maior índice de obstáculos. Porém, se a identidade perdida conspira contra nossa proposta de trabalho resta ainda a mística da camisa, peça que tantas vezes deixou de perguntar quem lhe vestia e jogou como nunca.

Fosse outro adversário - Manchester! Barcelona!!! ...-, eu diria - mesmo contrariando a passionalidade palmeirense que nos é peculiar: - “É o fim!” Entretanto, a última frase ainda não foi escrita e ninguém morreu prematuramente. Portanto ...

25/05/2009

"115) A JUSTIÇA É CEGA?"


"Eu prefiro interpretá-la como ['um véiculo sério e verdadeiro'].


"A verdade não se impacienta, porque é eterna". (Goethe)


"Prefiro orgulhar-me de Marcos (35) - ['A Lenda'] - ..."

“A JUSTIÇA É CEGA?”

A justiça é cega? Eu prefiro interpretá-la como “reta”. Contudo, domingo, ela foi “omissa”. Eurípedes (485 a.C – 406 a.C) - poeta grego - diria sobre ela: “Todo aquele que encobre a própria injustiça debaixo do manto lustroso da eloqüência merece um grande castigo”.

A justiça é cega? Eu prefiro interpretá-la como “ativista”. Contudo, domingo, ela foi “inerte”. Goethe (1749-1832) - cientista, escritor e pensador germânico - diria: “Faz o que for justo. O resto virá por si só”.

A justiça é cega? Eu prefiro interpretá-la como “um veículo sério e verdadeiro”. Contudo, domingo, ela foi “satírica e mentirosa”. Rui Barbosa (1849-1923) - escritor, jurista e orador brasileiro - diria taxativamente: “A verdade não se impacienta, porque é eterna”.

Assim sendo, se a justiça busca a verdade e é eterna, ela está gravada em nossa existência. Contudo, “forças ocultas” existem e procuram manipulá-la; transformá-la na propriedade de consumo da aristocracia reinante em algumas fatias da sociedade.

Hoje, não vou falar sobre futebol - quiçá feito de detalhes, um deles, domingo, fundamental. Prefiro orgulhar-me de Marcos (35) - “A Lenda” - Seria redundância?

Da mesma forma, seria apropriado ao adversário orgulhar-se de seu maior destaque? Suas mãos não nos possibilitaram a chance dos três pontos. Mais uma vez foram o destino e a justiça. Mais uma vez pertenceram à “Vossa Excelência”, o juiz.

22/05/2009

"114) CHEFE CAVALO LOUCO VERSUS GENERAL CUSTER"


"De um lado, guerreiros alviverdes ... Do outro, oportunistas ... Tal e qual a inesquecível ['primavera de 1942']."

“CHEFE CAVALO LOUCO VERSUS GENERAL CUSTER”

Junho de 1876. Margens do rio “Pequeno Grande Chifre” - Montana, Estados Unidos da América. Depois de insistentes atrocidades cometidas por intermédio de seus soldados, o homem branco toma conhecimento da “ira indígena”, moradora das grandes planícies.

Os nativos sempre souberam lidar com a natureza e suas leis, usufruindo dela o essencial à sobrevivência. Entretanto o homem branco não mediu esforços para aproveitar-se do que de melhor pudesse encontrar em terras alheias.

Chefe Cavalo Louco (1840-1877) - um dos líderes das tribos Cheyenne e Sioux - comandou cerca de dois mil guerreiros contra a 7.ª Cavalaria - liderada pelo General George Armstrong Custer (1839-1876) -, vencendo e levando-lhes ao extermínio, impiedosamente.

Domingo, Cavalo Louco e Custer devem trazer à luz da História, mais uma vez, o episódio do rio “Pequeno Grande Chifre”.

De um lado, guerreiros alviverdes defendendo sua “terra venerável”; “o jardim suspenso” de tantas alegrias. Do outro, oportunistas que o tempo implacável - um dia, mais cedo ou mais tarde – levará ao ostracismo. Tal e qual a inesquecível “primavera de 1942”.

Deixar de lembrar 1942 é faltar com o devido respeito aos homens que, com a mesma coragem de Cheyennes e Sioux, defenderam nosso patrimônio, enterrando seus corações apaixonados nas lendárias alamedas e bosques do “Parque”, na primeira metade do século XX.

Portanto, não exigimos vitória - ela é uma conseqüência da boa luta. Exigimos de nossos jogadores - SEMPRE! - respeito pelas cores de nosso estandarte, pelo escudo bordado em nosso manto sagrado e pela história deixada em cada metro quadrado de nosso gramado.

Não há porque temer a guerra, se a certeza da morte é uma constante em nossas vidas. Porém, não podemos antecipá-la. Há muito pelo que lutar e conquistar.

18/05/2009

"113) MONTECCHIOS E CAPULETOS"


"Detalhes que mudam histórias."

“MONTECCHIOS E CAPULETOS”

Dias depois da “BATALHA DE RECIFE”, e ainda sentindo os efeitos das léguas tiranas percorridas, fomos ter com os colorados gaúchos. Mesmo assim, arriscamos a sorte.

Capixaba (25) apanhou a bola pela lateral direita e centrou no primeiro pau, mais pela meia. Antecipando-se ao seu marcador, Ortigoza (21) espanou de cabeça. Entre dois zagueiros e a saída suicida do goleiro, Diego (23) e a mudança do destino se apresentaram. Caprichosamente a moldura foi chancelada. Detalhes que mudam histórias.

Agora é hora de voltarmos nossas atenções ao passado. Esperarmos pelo próximo encontro, que nos fala sobre a diferença entre um adversário e um inimigo; entre aqueles que procuraram escrever sua história, à base de trabalho, tijolo a tijolo, enquanto outros especularam de forma oportunista.

Ira? Não! Apenas lembranças que remontam a Montecchios e Capuletos.

Perdoem-me pelas palavras escritas com sangue italo-brasileiro. Elas espelham o inconformismo com os fatos esquecidos e com a falta de memória de uma sociedade alienada. A mesma que aplaude aqueles que nada fizeram pelo crescimento do Estado, a não ser sorver o leite dos seios da classe trabalhadora.

Neste final de semana receberemos a visita deste convidado indesejável.

15/05/2009

"112) A LENDA"


" ... desaparecerá o homem e surgirá ['A LENDA']."


" ... nada poderá macular sua imagem."


" ... testemunhas das proezas do ['grande goleiro'] ..."

"A LENDA"

Permitam-me tecer comentários sobre a figura ao centro da moldura. Para quem enfrentou e calou torcidas mais numerosas, “a Ilha” é apenas mais uma a reconhecer sua indiscutível competência.

Ele é “a tese” do momento. “Nosso porto seguro” desprovido de maiores justificativas. “A síntese”.

O que falar do homem das defesas miraculosas? O que falar do único ser capaz de rejeitar uma proposta para jogar no exterior, por se achar comprometido moralmente com toda uma coletividade? O que falar de Marcos (35), o número doze dos trabalhos hercúleos e das tarefas impossíveis?

Quando o futebol deixar de oferecer craques com amor à camisa, acredite: “Marcos será lembrado”.

Homens como “o goleiro que ninguém passa” nos permitem sonhar acordados. O som do silêncio de uma “ilha incrédula”, tomada por nativos abismados, ainda ecoa pelos quatro cantos. A cada lance revivido, a certeza: “A eternidade, moradia dos deuses, está próxima de Marcos”.

Graças aos cronistas espalhados pela mídia - testemunhas das proezas do “grande goleiro” -, Marcos poderá ser reconhecido pela posteridade; pelos filhos de nossos filhos. E mesmo que as palavras legadas ao futuro sejam regadas à base de hipérboles, nada poderá macular sua imagem. Assim sendo, desaparecerá o homem e surgirá “A LENDA”.

11/05/2009

"111) SINCRONICIDADE JUNGUIANA"


" ... ele é desafiado a superar a resistência de forças opostas ..."

“SINCRONICIDADE JUNGUIANA”

Carl Gustav Jung (1875-1961), na possibilidade de ser cronista esportivo - uma licença poética concedida aos homens que procuram escrever algo a alguém - diria sobre a escalada alviverde: “SINCRONICIDADE”!

A equipe cresceu e produziu porque os jogadores foram além da causa e efeito. Eles interpretaram adequadamente como deveriam vencer. Não foi fruto de um bando inconseqüente, alçando bolas à área e esperando a misericórdia divina.

Quando o lateral - Jefferson (21) – procurou a linha de fundo e efetuou o cruzamento, a bola não foi encontrar o atacante - Willians (21) - aleatoriamente.

Quando o zagueiro - Marcos (33) - permitiu-se subir à área inimiga e realizar a assistência ao artilheiro - K9 (21) -, não foi sorte, pura e simplesmente.

Na verdade, o nome correto é trabalho coletivo - em grupo. É o fator que diferencia coadjuvantes de personagens principais.

O jogador faz o gol porque é uma conseqüência do assédio feito às linhas inimigas. Mais do que um ato mecânico, ele é desafiado a superar a resistência de forças opostas, sejam elas motivadas por quaisquer anomalias – arbitragem, por exemplo.

Jung diria mais sobre a sincronicidade verde e branca - e é fato! Mesmo que o resultado seja adverso, a confiança removerá os obstáculos inconvenientes. As arquibancadas - torcida - percebem isso, incentivando ininterruptamente e fazendo com que suas vozes empurrem a deusa branca rumo às redes antagônicas.

Nosso destino pode estar sendo anunciado de forma enganosa, mas que ele nos entusiasma não podemos negar.

Seria a maturidade chegando ao elenco promissor - Souza (21), Willians (21), Ortigoza (21)...? Jung diria: “SINCRONICIDADE”!

Sim, nós podemos!

08/05/2009

"110) NAVALHA DE OCKHAM (ou de Ortigoza?)"


"A navalha afiada e cortante."

NAVALHA DE OCKHAM”
(ou de Ortigoza?)

Falta na lateral direita. Engraçado, por um lapso de tempo lembrei do paraguaio Arce. Contudo, as esperanças calçam as chuteiras de Cleiton (25) e elas não vêm decepcionando.

A bola segue rumo à área, em curva aberta, na primeira trave. Aqueles que marcam, assistem, não interceptam a trajetória. Somente um jogador sabe o que deve fazer. Um toque sutil, diagonal. Três goleiros não seriam suficientes para detê-lo.

Suspiro aliviado! Sobrevivo! Procuro saber a autoria do gol. Vislumbro outro paraguaio na história palestrina. Ele é simples, objetivo e essencial. A navalha afiada e cortante. A lei parcimoniosa que oferece apenas o necessário.

As palavras que definem o herói noturno respondem pelos nomes de “Decisivo” e "Fundamental”. Sua breve carreira alviverde nos ofereceu “quatro gols”, todos importantes e responsáveis por vitórias.

Não fosse pelos quinze minutos de fama, Ortigoza (21) marcaria sua passagem pela semelhança com determinado personagem humorístico. Porém, ele foi maior que a sátira. Ele foi a sorte. O destino que tocou violino.

04/05/2009

"109) IMAGINE (como diria Lennon)"


(1940-1980)

"Sim, nós podemos!"

"IMAGINE"
(como diria Lennon)

Imagine o jardim suspenso, a torcida e nosso jogadores. A sincronia, a laranja mecânica e a magia.

Imagine a bola rolando, os passes precisos, os lançamentos perfeitos e a entrega total.


Imagine o adversário surpreso, jogando no erro que teima inexistir.

Imagine o sangue nos olhos e a faca entre os dentes. O fim dos desaforos feitos à nossa gente.

Imagine a vitória perfeita, o dever cumprido e a desconfiança desfeita. A batalha superada, mas que não é o bastante para acabarmos com a guerra.

Imagine ...

Sim, nós podemos!

03/05/2009

"108) OS QUATRO CAVALEIROS DO APOCALIPSE"



"Invencíveis?Ninguém!" 

“OS QUATRO CAVALEIROS DO APOCALIPSE”

Apocalipse. Revelam-se os acontecimentos à nossa frente.

Jogo a jogo os adversários representam barreiras de nossa passagem rumo ao título da copa de maior prestígio no continente americano. Seriam eles, os invencíveis? Os quatro cavaleiros do apocalipse? Os nomes contidos em cada alforje cavalariço, lacrado e misterioso?

Adversários? Sim! Invencíveis? Ninguém! Um a um devem ser respeitados. Contudo, devidamente derrotados! Sejam eles pernambucanos, uruguaios, argentinos ou mineiros – acreditem, esta pode ser a nossa trajetória.

Conquistar é demonstrar superioridade. É vencer a guerra na estratégica. É privar-se da vaidade, defendendo e atacando com homogeneidade. É não ter medo da morte, porém, não morrer.

Enfim, conquistar é vibrar! É vencer nossos fantasmas. É arrepiar-se emocionalmente. É despachar um a um, os quatro cavaleiros do apocalipse.








01/05/2009

"107) MENSAGENS DO POETA (Cleiton falou assim)"



" Paternidade possessiva à parte, a esperança cobriu meus olhos de imagens lúdicas ..."

"MENSAGENS DO POETA"
(Cleiton falou assim)

Permitam-me contar-lhes o ocorrido. Mesmo à luz da metáfora fica difícil expressar em palavras o que vivi e senti.

Lembro ter recebido a bola. Algo me dizia para tratá-la com ternura, feito a filha imaculada e prodigiosa, permitindo-lhe posteriormente que continuasse seu rumo, madura e consciente de seu destino.

Quando ela partiu, pensei que fosse o fim. Paternidade possessiva à parte, a esperança cobriu meus olhos de imagens lúdicas, próprias do futuro mágico dos heróis.

Quando percebi a deusa branca acomodada no lençol alheio, olhei de soslaio e avistei um mirante de companheiros pulando. Poucos em um universo de muitos. Incrédulos e felizes, embriagados pelo sabor inesquecível da conquista – conquista do que? “DA DIGNIDADE!”.