28/09/2009

"151) DIA DE HERÓIS"




"Os heróis conhecem o momento de avançar suas forças, arrebatar territórios e pilhar as riquezas adversárias ... "



"Os heróis respeitam a hierarquia e quando convocados à luta respondem afirmativamente ..."



"Os heróis sabem defender e orientar ..."

“DIA DE HERÓIS”


No esporte, um dos únicos lugares que ainda permitem a guerra como exemplo de metáfora, os heróis caem na graça de seus semelhantes porque apresentam traços de forte personalidade.


Os heróis conhecem o momento de avançar suas forças, arrebatar territórios e pilhar as riquezas adversárias, envoltos em uma espécie de aura mística.


Os heróis sabem defender e orientar; sabem brincar de deuses e praticar milagres. Eles escrevem nas páginas da História, a lenda de sua passagem pelos gramados de combate.


Os heróis respeitam a hierarquia e quando convocados à luta respondem afirmativamente, oferecendo de si mais que o trivial.


Os heróis jogam o jogo como poucos, diante dos muitos mortais.


Os heróis fazem a diferença e transmitem confiança, embora a dureza do prélio.


Os heróis acostumam-se a ter seus dias de glória; beber o vinho das festas de Baco; e dormir o sono dos justos.


Enfim, os heróis sabem muito bem como campear títulos. Chamem-lhes pelo nome, se assim quiserem - Belluzzo, Marcos (35), Figueroa (25), Danilo (25)...







25/09/2009

"150) GUERREIROS DA CASA AZZURRA"




" O verde à nossa frente precisava ser desbravado e palmo a palmo conquistado."



"Muito pouco para quem quer respirar ares de superioridade."



" Pois cada membro de nossa infantaria valia por dez ..."

“GUERREIROS DA CASA AZZURRA”

Capítulo 1:

"Comentários a respeito do mundo das idéias por intermédio do mundo dos sentidos."

Quando o adversário rompeu a linha do horizonte, nossas fileiras estavam preparadas.


O verde à nossa frente precisava ser desbravado e palmo a palmo conquistado.


Ninguém precisou nos explicar a importância de suplantar os obstáculos. Era viver ou perecer.


O outro lado, salvo melhor juízo, lutava pela honra e dignidade. Muito pouco para quem quer respirar ares de superioridade.


Quando o trabalhador está pronto o trabalho aparece. Pelo perfil traçado de cada homem envolvido na empreitada, não perderíamos a chance. Mesmo que os guerreiros de terracota recebessem o sopro divino.


Pasmem! Pois cada membro de nossa infantaria valia por dez - e dez era o número limite.


Vencer foi belo e o sangue derramado - Wendel (27), por exemplo – foi exemplo de lealdade.


Estamos próximos de gritar que o Brasil é verde.

Capítulo 2:

"Comentários a respeito do mundo dos sentidos por intermédio do mundo das idéias."

A equipe pode não ser um exemplo notável de categoria e elegância. Apresenta erros que o próprio inimigo conhece, estuda e procura utilizar.


Contudo, o sinal dos escolhidos existe em cada um dos jogadores e a vontade de se superar ilustra a realidade tangível que a “mídia oficial” insiste ignorar.


Somos a “engrenagem palestrina”, onde o “eixo técnico” uniformiza o funcionamento e ninguém oferece menos do que pode ser proporcionado.






21/09/2009

"149) CIARAMELLA"



"Tudo isso regado ao som da ciaramella."

"CIARAMELLA"

Vicenzo e Giovanna eram filhos da Sicília, Itália Insular.


Eram almas gêmeas prometidas que contraíram matrimônio em 1922, ano lembrado pela “Marcha Sobre Roma” imposta pelo “dulce” Mussolini (1883-1945).


Vicenzo era camponês e possuía o perfil de seus antecessores gregos, colonizadores do “calcanhar da bota”, por volta do século VI a.C.


Giovanna era filha de latifundiários cerealistas e de uma beleza ímpar. Possuía a “loirice” das italianas setentrionais.


Resolveram “fazer a América” e não tinham tempo a perder com pequenos detalhes. Afinal, os homens que trabalhavam para Carlo, pai de Giovanna, não errariam seus disparos.


Somente respiraram quando o navio que os levaria ao Brasil levantou âncora.


Penosa e longínqua era a viagem programada pelo casal que se alimentava da solidariedade alheia. Eles não demoraram a adoecer. Ardendo em febre deliravam o medo da captura e o amor incondicional.


Vicenzo era virtuoso com a ciaramella - espécie de gaita de fole, conhecidíssima na Calábria -, enquanto que Giovanna cantava como poucas. Em suas miragens, fruto do delírio febril, eles plasmavam os inesquecíveis campos de trigo das cercanias da casa da jovem, onde se encontravam para, entre outras coisas, cantar, dançar e amar.


Pelo milagre de Deus - e capricho do destino -, Vicenzo se recuperou.


Entretanto, Giovanna ...


O jovem marido apelou a todas as preces possíveis, mas as coisas não funcionavam conforme o esperado. Viagens como essa demandavam fé, resistência e sorte. Acomodamentos insalubres, onde o calor do dia e o frio noturno revezavam-se no anúncio inevitável do cadafalso de cada viajante, conspiravam contrários aos interesses do casal.


E assim, certa manhã, a ciaramella de Vicenzo emudeceu. Giovanna fechara o par de olhos verdes pela última vez. O mundo das idéias platônicas fazia por merecer a bela e jovem siciliana.


A mortalha improvisada pelos marinheiros, e que escondia o corpo da ragazza atirada ao mar, era a última lembrança de um amor incondicional. A maçã estava cortada pela metade.


E o ragazzo siciliano, às vezes lúcido, às vezes submetido à catarse, seguiu seu rumo. Porto, estalagem, ferrovia, fazenda de café, queda da bolsa, fuga do interior, chegada à capital, indústrias, anarquistas, greve, carcamanos, alegrias e tristezas. Amadurecimento, sangue, suor, preconceito e lágrimas. Tudo isso regado ao som da ciaramella.


Na primavera de 42, Vicenzo estava longe da Itália siciliana, longe da guerra européia e perto do pecado de ser imigrante. Era esposo de Fiorella - com quem descobriu o reinício - e pai de Ectore - como o grande guerreiro troiano - e Esperanza – como a forma simples de acreditar no futuro.


Na primavera de 42, Vicenzo tinha pelo que lutar e não era pelo fascismo.


Na primavera de 42 e vinte anos após o início de sua odisséia, Vicenzo era um homem honrado, digno e acima da moral que permeia as inúmeras sociedades existentes no planeta.


Na primavera de 42, Vicenzo fundiu em “suo cuore” duas bandeiras distintas, Brasil e Itália.


Na primavera de 42, assim como Vicenzo, a Sociedade Esportiva Palmeiras pode gritar sua vitória, a despeito das mazelas produzidas pelos inexoráveis caminhos da fatalidade.


Na primavera de 42, a ciaramella murmurava poesias que falavam dos campos de trigo.





Inspirado na biografia de John Newton (1725-1807)

18/09/2009

"148) DEPOIS DA COLINA, A GUERRA CONTINUA"



"Mas a persistência é uma alternativa constante e eu não deixaria de combater os meus, os seus e os nossos demônios medievais."

"DEPOIS DA COLINA, A GUERRA CONTINUA"

Pedi licença e me levantei. Quando parti, a mesa estava dividida.


Poucos notaram minha saída. Não me surpreendi.


Lembrei de quarta-feira; dia de jogo; campeonato difícil; esperança cíclica e oscilante.


Continuaremos inalando pelo ar o veneno dos tendenciosos; cânones de uma “imprensa oficial” cada vez mais encamisada pelo clubismo parcial. Mas a persistência é uma alternativa constante e eu não deixaria de combater os meus, os seus e os nossos demônios medievais.


Enquanto isso, os ânimos continuavam acirrados. Alguns atacavam e outros se defendiam; alguns tangiversavam a respeito do destino da “Società”, enquanto outros estavam preocupados com o entorno do seu próprio umbigo.


Na parte que me toca, tinha motivos pontuais para fazer parte do nicho atacante. Contudo, aqueles que praticavam a arte da defesa não deixavam de demonstrar traços de coerência. Talvez fosse o caso de utilizar-se do caminho do meio - do sânscrito madhyama pratipad - ou recolher-se interiormente, mas a verdade é uma só: aquele que promove eventos deve saber que, lidar com o homem, no sentido genérico, é complexo; envolve susceptibilidades e sentimentalismos - ainda mais quando os membros participantes se sentem filhos do mesmo e “grande pai Palmeiras”.


É fato que, ao final, não houveram vencedores ou vencidos.


Pior! Ninguém conseguiu - do outro - um sinal discreto de “mea culpa”. Ninguém entendeu que, em se tratando de Sociedade Esportiva Palmeiras, todos somos passionais.







14/09/2009

"147) SOM DO SILÊNCIO"




" ... desejo de mudar as regras do jogo."

“SOM DO SILÊNCIO”

Há dias onde o planejamento não funciona. O problema existe na individualidade e não no coletivo.


Há dias onde “a lenda” é esquecida e o mundo se torna comum.


Há dias onde o “condutor do archote” não ilumina e nos deixa às trevas.


Há dias onde o pássaro não voa alto deixando-nos de indicar o norte do rumo a ser tomado.


Há dias onde todos reclamam e ninguém possui discernimento para encontrar a saída.


Há dias onde a verdade é propriedade de alguns cientistas equivocados e enganados por cálculos ultrapassados.


Há dias onde ninguém consegue explicar porque “o todo não é tudo”.


Há dias onde você entende perfeitamente o funcionamento da máquina; o valor atribuído a si; e o seu verdadeiro valor.


Há dias onde o olhar conforta mais que o beijo.


Há dias onde o cheiro da mobília envelhecida retorna e nos faz lembrar de tempos idos; do café com leite e do bolo de milho; das aventuras contadas às nossas avós; e do desejo de mudar as regras do jogo.


Há dias onde o som do silêncio diz mais que mil palavras.


Há dias onde... o melhor a fazer é se recolher.







11/09/2009

"146) BRAVATAS DE UM HOBBIT ATORMENTADO"



"Sméagol ... seduzido pela beleza inebriante de um anel, cunhado para tudo exterminar, veio à tona. "


“BRAVATAS DE UM HOBBIT ATORMENTADO”

Sentindo-se ameaçado em sua supremacia, “o olho do mal”, desde “a fortaleza de Mordor” resolveu conspirar contra o equilíbrio da “Terra Média”.

Sméagol - um de seus aspectos nefastos - seduzido pela beleza inebriante de um anel, cunhado para tudo exterminar, veio à tona.


A literatura de Tolkien (1892-1973) pareceu renascer nos meandros do futebol, agora revivida por homens de carne e osso.


Lançando suas mensagens por intermédio da imprensa, ao insuflar teorias conspiratórias, eles tentaram vencer uma partida perdida. A arbitragem posta à prova sempre respondeu, induzida pela necessidade de se fazer justiça. Mas para quem?


Nas próximas rodadas, todo o cuidado é pouco. A propaganda subliminar pode interferir no inconsciente dos homens de preto.


Ilustríssimo Senhor Belluzzo e equipe: “Por mais absurdo que possa parecer, o futebol é jogo que se começa a vencer desde os bastidores”.


A SEP tem caracterizado suas atitudes através de medidas arrojadas, indubitavelmente respaldadas se alcançarem sucesso - afinal, os opositores alimentam-se do fracasso. Assim sendo é preciso orar e vigiar.


Se a derrota existir, e isso é possível, prefiro que ela aconteça dentro das quatro linhas, por intermédio de adversários bem melhores preparados, técnica e taticamente. Do contrário, é melhor que nossos oponentes aceitem a superioridade palmeirense.


Da mesma fora que lutamos por nossa honra e dignidade, na primavera de 1942, lutaremos pelo direito de sermos eleitos campeões.







07/09/2009

"145) BLACKBIRD FLY"



" ... e seu instinto predador fez, faz e continuará fazendo a diferença."



" ... e o grito preso na garganta está próximo de se libertar. "




" ... e com ele a esperança aumentou ..."

"BLACKBIRD FLY"

O pássaro negro voltou e pousou no interior do Coliseum.

O pássaro negro voltou e foi saudado pelos deuses e gladiadores.

O pássaro negro voltou e seu instinto predador fez, faz e continuará fazendo a diferença.

O pássaro negro voltou e o grito preso na garganta está próximo de se libertar. O qüinquagésimo saiu e ele é o primeiro gol de uma seqüência de muitos outros.

O pássaro negro voltou e com ele a esperança aumentou - embora as dificuldades continuem e sejam muitas.

O pássaro negro voltou e com ele o estigma dos grandes campeões.

Voe pássaro negro! Voe!


 



04/09/2009

"144) HONRAS AO GUERREIRO (Bushido)"



"... viver pode ser um atributo, mas a honra e o respeito duram para sempre. "

HONRAS AO GUERREIRO

(Bushido *)

Busca insana. Saúde, paz e prosperidade. Motivos da existência de um guerreiro à frente da “linha de defesa azzurra”.


A lâmina reluzente em punho indica que ao menor sinal do perigo, ele deve ser bloqueado. É o dever ingrato de nossa infantaria ou seu código de honra? Talvez, a melhor maneira encontrada para expressar comprometimento com a causa alviverde.


Pierre é a própria dignidade a serviço do interesse comum, em detrimento do interesse individual.


Pierre é um dos primeiros a apresentar-se como voluntário e um dos últimos a capitular.


Pierre é aquele que se identifica com os sonhos introspectivos do povo das estepes de cimento armado, pois “a dureza do prélio não tarda”.


Pierre é, talvez, “o último samurai” a respeitar a filosofia do “Bushido”, onde viver pode ser um atributo limitado, mas a honra e o respeito duram para sempre.


* Bushido significa, literalmente, “caminho do guerreiro”; código de conduta de um samurai - classe guerreira do extremo oriente feudal - desenvolvido entre os séculos IX e XII d.C.

***



Não basta ser guerreiro . É preciso ter a marca de nascença do guerreiro. Ela se manifesta nos mínimos detalhes. Estes, somados formam sua história.