"Hoje, as corredeiras espetaculares do Orinoco permitem, de forma utópica, que alguns clubes busquem seu [']El Dorado['] particular".
“FLUXO DO ORINOCO”
Orinoco - o mesmo que água rápida, na língua nativa local - é o nome atribuído ao terceiro rio mais caudaloso do continente sul-americano.
O Orinoco nasce na Serra Parima, planalto das Guinas, onde atravessa sinuosamente uma boa fatia do território venezuelano e um singelo trecho do território colombiano. O fim da jornada tem lugar no Oceano Atlântico.
Marcado pelo cerrado do Llanos, planícies existentes em sua bacia, o maior rio venezuelano foi batizado por Colombo (1437 – 1506), conquistador da América, como “Porta do Paraíso”. Percorrendo suas águas, o navegador genovês esperava encontrar muito mais que belas paisagens. Sendo assim, o “El Dorado” - Paititi para os índios - tornou-se um mito; a busca frenética pelo ouro escondido pelos incas e nunca localizado pelo ambiciosos europeus.
Mais de 500 anos se passaram e nada que lembrasse o “El Dorado” foi descoberto e usufruído. Permaneceu viva, sim, a ideologia. Esta, por sua vez, rompeu com as fronteiras nacionais e foi adaptada aos mais diversos interesses. Entre eles, o futebol.
Hoje, as corredeiras espetaculares do Orinoco permitem, de forma utópica, que alguns clubes busquem seu “El Dorado” particular. Provavelmente, alguns candidatos cheguem aos portais da cidade mítica. Entretanto entrar ... é outra história. Apenas um deles.
Confiaria a descoberta do “El Dorado” à Sociedade Esportiva Palmeiras, em virtude dos predicados apresentados. Entre eles, o foco no objetivo final. Essa vontade que lembra as empreitadas obstinadas dos cavaleiros partícipes das cruzadas medievais.
Originariamente, o “rio das águas rápidas” contava com 12 etnias em seu entorno - 12 famílias lingüísticas indígenas. Interessante, agora faltam 12 jogos e ninguém pode ser mais corajoso, audacioso e consciente do que o alviverde. Basta seguir o instinto da natureza e, conseqüentemente, o fluxo do Orinoco.